Voltar a postar depois de um tempo parado é como passar a frequentar a night outra vez. É estranho no começo, mas logo se entra no clima, no ritmo. E por mais que a gente se pergunte se ainda tem fôlego, acaba mesmo é aproveitando a festa. Além do mais, preparado, preparado, cem por cento em forma, ninguém nunca está mesmo. Então, o negócio é fazer e ver o que acontece. Aí, sim, é possível dizer que acontece o seguinte.
Continua bonita, gostosa, cheia de curvas, e olha que já passou por cada coisa nessas 444 primaveras...Ou devo dizer verões? Parabéns minha gatíssima cidade do Rio de Janeiro por mais um ensolarado aniversário.
Este blog mudou de ano como quem sai à francesa de uma festa. Sem se despedir, sem desejar os rotineiros votos de felicidades. Mas como dizer Feliz Ano Novo em meio à crise econômica e ao fratricídio recorrente desse velho mundo? O fato é que acontece o seguinte: vivemos tempos intranqüilos. Ou melhor, intranquilos. Até o trema foi detonado.
Tempo não há
para mais nada.
Cada um que volte
a sua primeira casa.
Replante a vinha, lime as palavras.
Eis com que me encanto:
um sonho arcano,
de gentílico milesiano.
Recebi esse e-mail que explica, em bom português, como começou essa crise toda de Wall Street:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito). O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constitui, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência...
E toda a cadeia financeira sifu.
Este vídeo, com John Coltrane interpretando "My Favorite Things", faz parte da seleção dos melhores vídeos internacionais de cultura disponíveis no You Tube.
Quando a gente chega à Barra da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, há uma placa que diz "Sorria, você está na Barra". Provavelmente, sorriremos. O bairro é bonito, tem praia, shoppings, cinemas, restaurantes, motivos de sobra para se abrir o velho e bom sorriso mundano. Bem, essa história da placa é apenas um gancho para uma pergunta que quero fazer: por que muitas vezes não sorrimos, mesmo quando temos todas as razões para fazê-lo? Ora, isso logo me remete aos atletas olímpicos brasileiros. Como sabemos, chegar a uma olimpíada é ou deveria ser motivo de profunda alegria para os competidores. Mas o que vimos em Pequim foi uma quebra de recordes de lágrimas. Muitos (ou os poucos) que subiram ao pódio, o fizeram aos prantos. Claro que eu sei que nossos atletas enfrentam dificuldades de diversas ordens e que as lágrimas são, algumas vezes, pequeninas e pungentes medalhas de superação. Mas, de qualquer modo, será que desaprendemos o sorriso? Ou será, então, que temos um medo enorme de que a demonstração de felicidade acarrete a inveja, preferindo, assim, a unânime piedade que o choro suscita?