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Sexta-feira, Setembro 30, 2005



Estamos na primavera, época em que as borboletas dão suas voltinhas por aí. Caso não apareçam, é sinal que um eficiente ancinho removeu o mato rasteiro, o feio, o incômodo mato rasteiro, onde viceja o precioso alimento da madame butterfly. Um jardim apenas florido, sem criaturas que passam voando, pode ser uma paisagem suficiente para alguns. Churchill disse que a democracia é o pior dos regimes, excetuando-se todos os outros. Em tempo: sir Winston Churchill era líder do partido conservador.


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Quarta-feira, Setembro 28, 2005



Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. O adágio bíblico é constantemente citado. Mas parece que a ordem que vingou é mentir, mentir, mentir, como se fosse a ordem natural das coisas. Acontece o seguinte: o país conhece os fatos e é só. E a verdade dos fatos? Ah, isso são outros quinhentos, provavelmente não contabilizados. Como é pervertida a história! O Lula não sabia do mensalão, a diretoria do Banco Rural não sabia que empréstimo precisa de lastro, o Bush não sabia que os diques de Nova Orleans eram frágeis e o Chapeuzinho Vermelho não sabia que um cachorro grande vestido de vovó só podia ser um lobo.


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Terça-feira, Setembro 27, 2005


Um grande escritor é assim, acerta na mosca. Foi o que fez Carlos Heitor Cony em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo, acertando em cheio na análise da crise que nos vareja. Gostaria de transcrevê-la aqui, acho que não posso por questões autorais. O link é www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/cony.shtml

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Lá se foi o bom Golias. Vai fazer falta. Não há quem não tenha rido com ele. Esse sim, um riso do bem, não nos envergonhava, não onerava os cofres do país. Criou personagens inesquecíveis. O cunhado Bronco, da Família Trapo, proprietário de um terreno 3x4 em Mato Grosso, desempregado convicto. Quando lhe propunham algum trabalho, se ajoelhava e perguntava aos céus que mal havia feito. De joelhos, nós também devemos perguntar: que mal fizemos para merecer tantos larápios?

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Juiz de futebol manipula resultados, ex-assessora de senadora posa para revista masculina, deputado usa belas modelos em sua campanha à presidência da câmara, jogador Higuita troca de cara. Podemos responsabilizar os personagens da vida pública e mundana por uma série de coisas, menos por não nos proporcionarem diversão gratuita. Basta abrir a cortina dos noticiários para se deleitar com o espetáculo. É o melhor a fazer. Posar ou não posar, trocar ou não trocar de cara, são questões de decisão íntima dos envolvidos. Eles devem considerar essas ações pró-ativas (argh!) para suas carreiras. Torçamos ou não torçamos o nariz pra isso, o problema é deles. O juiz do apito mágico já está preso. Quanto aos políticos...Bem, as eleições são só no ano que vem. Por hora, vamos rir.


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Domingo, Setembro 25, 2005


Rio sempre foi o primeiro nome que me veio à cabeça para este blog. Uma óbvia referência à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, minha cidade. Mas uma dúvida maluca detonou a idéia no nascedouro. E se a referência não fosse assim tão óbvia? O leitor interpretaria que vivo às gargalhadas. Embora, como qualquer um, tenha lá meus surtos. Acontece o seguinte: no mundo do hipertexto, uma metáfora, comum que seja, pode levantar objeções do tipo "se não quer dizer o que disse com o que disse e quer dizer com o que disse outra coisa, que faça um link no título!". De qualquer modo, o Rio correrá volta e meia por aqui. Ao contrário do rio do filósofo, o meu me será sempre o mesmo, não importa quantas vezes me banhe ou me afogue em suas águas. Faccioso? Talvez.

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Os políticos são homens de bem, não tenho dúvidas, apesar de poucos se restringirem à singularidade de um bem só. Acontece o seguinte: a posse provisória de grana ou cargos é mandato curto, não prefigura o homem de bem, não fixa sua veneranda imagem na psique das massas. A construção de um homem de bem é processo longo, elaborado. Não se é homem de bem no improviso, mesmo com traje correto, pronome reverente, voz empostada. O homem de bem genuíno emana uma aura característica, áulica há muitos anos. Que imprudência arrostá-lo...diria mesmo, que tabu! Resta-nos, então, a pura e simples curiosidade: quem seria o oposto do homem de bem? O homem do mal, logicamente. E quem é o homem do mal? Ora, o ladrão de galinha.

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- Rapaz, participei de uma oitiva ontem em Brasília que nem te conto!
- Peraí. Ontem eu assisti todas as CPIs pela tv e você não tava.
- Foi sessão secreta. Aliás, se a minha mulher perguntar, confirma.
- Caramba, então foi quente o negócio...
- Bota quente nisso.
- Muita gente presente?
- Sessão cheia. Parlamentares, empresários, secretárias.
- Uma loucura, não?
- Todo mundo arrolado, entrando com habeas-corpus. Que oitiva!
- Vai, conta os detalhes.
- Não posso. É quebra de decoro.
- Ah, vai deixar o amigo não mão? Sou cidadão, tenho direito de saber, participar.
- Então, entra pra política. Até lá, access denied.


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