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Terça-feira, Novembro 29, 2005



Conheci três personagens e os designei como a maldade, a farsa e o mistério. A maldade se comprazia em exercer com método diligente as suas ações maldosas, a farsa tentava convencer a todos de sua genialidade inexistente e o mistério...bem, o mistério acabou por se revelar mau e farsesco. Eles tinham uma espécie de sociedade e se nutriam de admiração mútua e de desprezo olímpico por todos os demais, excetuando-se aqueles reconhecidamente superiores. Aí era um festival de rapapés e pusilanimidade. Aos outros, a lei. Essa é uma descrição generalista e com ares de fábula, mas talvez tenha ocorrido em tempo e espaço específicos, no atacado ou no varejo. Acontece o seguinte: muitas vezes vivemos situações que nos pareciam impossíveis fora da ficção. E cada um tem lá a sua história exemplar para contar, seja no trabalho, nos lares, nas ruas, na polícia, na política ou onde quer que personagens semelhantes resolvam se manifestar.


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Segunda-feira, Novembro 28, 2005



Estamos na época de tratar de um assunto bastante polêmico, um problemão danado que já está aí causando aflição. A festa de fim de ano do trabalho. Primeira questão a resolver: onde? Uma voz sensata (creiam-me, ela existe) aconselha um lugar próximo ao metrô, pra facilitar a vida das pessoas. Alguém que tá a fim de alguém, logo complementa: mas tem que ter espaço pra dançar. Acontece o seguinte: quando tudo parece caminhar para uma solução urbana, um mala qualquer sugere que se faça no sítio dele. Pertinho. Lá na caixa-prego! Pronto. Não tem outra.


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Sexta-feira, Novembro 25, 2005



Hoje é um dia que ninguém deve esquecer. Hoje é O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Difícil é lembrar que estamos no século 21.


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Quarta-feira, Novembro 23, 2005



O Brasil é pródigo em cabeças coroadas na área econômica. Vejamos. Gouvêa de Bulhões, uma enciclopédia monetária; Roberto Campos, leitor de clássicos gregos no original; Delfin, frasista mordaz e mago dos números; Simonsen, gênio e melômano; Funaro, dono de um charme congelante; Fernando Henrique, doutor em ortodoxia e phd em pós-modernidade; Malan, janota impecável e lorde da moeda forte; Palocci, esculápio da saúde fiscal. Decididamente, o país não faz jus a tantos luminares.


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Terça-feira, Novembro 22, 2005



O substantivo contexto tem dado lugar a uma ampla mistificação. Melhor dizendo, a uma espécie de justificativa cínica para várias coisas. Isso talvez se deva à famosa frase de Unamuno (ou teria sido de Ortega y Gasset?): "Eu sou eu e mais as minhas circunstâncias." Outro dia, num debate sobre o uso de drogas, um ex-guru da contracultura - respondendo a um jovem que o acusava de também ter feito o mesmo - disse que em sua época o uso de drogas tinha outro contexto, que era uma forma de protesto etc. etc. etc. Ora, quem usa drogas está apenas usando drogas. Depois (se conseguir) pode até fazer outras coisas, como ir à praia, ao cinema, à faculdade, ao trabalho, ao supermercado, aos quintos do inferno. A mesma mistificação se dá com a questão do roubo, ou do uso de recursos não contabilizados. No contexto do fulano pôde, por que no meu não pode? Acontece o seguinte: a solução é liberar tudo e proibir somente o contexto.


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Segunda-feira, Novembro 21, 2005



Como diria o Tim Maia, cadê o eco? Preciso saber o que vocês pensam do blog. Acontece o seguinte: as pessoas acessam, olham a mesa posta, mas não tocam no que está servido. É pra pegar os docinhos, sim! Não se acanhem, façam seus comentários.


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Domingo, Novembro 20, 2005



Assistindo hoje pela tv a maratona náutica, do forte de Copacabana ao forte do Leme, me irritou tremendamente ouvir o locutor da tv Globo falando o tempo todo na prova como um dos eventos preparatórios para o Pan do Brasil. Sim, senhoras e senhores. Era o tempo todo Pan do Brasil pra cá, Pan do Brasil pra lá, como se não houvesse uma cidade a sediar os Jogos Pan-americanos. Claro que o Rio é no Brasil. Mas acontece o seguinte: a escolha é feita entre cidades. O mérito é da cidade. Pra que ignorar o Rio? Toda vez que aparece o logotipo do evento, tá lá, visível pra todo mundo, Rio 2007, não tem como esconder. Não vejo a emissora falar, por exemplo, em Olimpíadas da China e sim em Olimpíadas de Pequim, como é o certo. Então, por que esse tratamento com o Pan do Rio? Será que os moradores da cidade não dão audiência? Será que os cariocas também não são anunciantes? Acho que todos nós da cidade gostaríamos que os responsáveis pela rede revissem essa postura estranha.


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Sábado, Novembro 19, 2005



Acontece o seguinte: entre a compreensão e a incompreensão há um espaço no qual a má interpretação faz a festa. Por isso, com toda razão, minha amiga Bernadete Lucena diz que devemos ser pão, pão - queijo, queijo em certas questões (leiam os comentários de ontem).


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Sexta-feira, Novembro 18, 2005



O texto que postei ontem sobre o Palocci pode ter parecido uma defesa do ministro. Longe de mim. Acontece o seguinte: o Palocci recebeu a apostila do Malan, o Malan recebeu a apostila do Fernando Henrique e este, por sua vez, a recebeu do FMI. Tudo direitinho, bem explicado, com manual de instruções em diversas línguas. Pronto, estamos conversados. E numa tremenda sinuca de bico. A ordem é ajustar mesmo, apertar a torneira ao máximo, até transformá-la em enfeite de pia. Afinal, quem precisa de água pra viver?


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Quinta-feira, Novembro 17, 2005



Acho que o Palocci se saiu muito bem em seu depoimento no Senado. A oposição diz que vai pegá-lo na CPI dos bingos. Diz. Mas não creio que ele vá passar maiores apertos, não. Comparece até numa boa. Acontece o seguinte: falou bonito, tá feito. Falando bonito, arrumadinho, enfático e ainda por cima citando dados, aí é que se releva tudo. Até o sotaque caipira vira cosmopolita. Meu aparelho de televisão, esperto e sensível, captou as seguintes ondas de encantamento na insigne platéia: "Que capacidade!", "Não fosse ele!", "Além do mais é médico!", "Por que não está em nosso partido?", "É o fiador da governabilidade!", "Tem pleno domínio da língua inglesa!", "Fora do ajuste fiscal não há salvação!".


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Terça-feira, Novembro 15, 2005



De tanto falar que é preciso ter a clareza - seu jargão predileto - Lula nos garante um clarão até 2010. É apagar pra ver.

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Uma renomada senhora chega hoje aos cem anos e continua perenemente bela. Sobrevive com elegância às mudanças que o tempo lhe impõe, aos que a sujam e aos que passam por ela com indevida pressa. Mas não vamos botar água no chope. O mais importante é que sempre que o caos urbano dá uma trégua, a Avenida Rio Branco enche de novo os nossos olhos e renova o pacto de amor eterno que fez com todos os cariocas.


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Sexta-feira, Novembro 11, 2005



Se quiserem realmente conhecer a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, não olhem para os desmandos de seus mandatários. Olhem para a sua paisagem, para a sua gente diversa e bonita, olhem para a sua história que é a história do Brasil, olhem sua arquitetura resistente, olhem para o Chorinho, o Samba e a Bossa Nova, olhem para Machado de Assis, Lima Barreto e João do Rio, olhem para Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlinhos Lyra, Vinícius, Chico, Paulinho da Viola e Tom Jobim, olhem para Oscar Niemeyer, Fernanda Montenegro e Heitor Villa-Lobos, olhem para o Municipal, o Maracanã, a Pedra Branca e a Pedra Bonita, olhem para o Redentor que abraça a cidade, o Pão de Açúcar e os Dois Irmãos, a Pedra da Gávea e o Cara de Cão. Olhem o acender das luzes da Avenida Atlântica coroando a Princesinha do Mar. Olhem para uma foto de Leila Diniz grávida e de biquíni na praia de Ipanema, tão garota e tão linda. Olhem do Leme ao Pontal, a Ilha do Governador, o Aterro e a Enseada, olhem a Urca e a Praia Vermelha, olhem a Lagoa Rodrigo de Freitas, contornem e mantenham-se na pista e na imensidão do Rebouças se percam. Subam e desçam lendo as partituras da calçada do Boulevard 28 de Setembro, olhem então para a Quinta da Boa Vista e a Feira de São Cristóvão e a Estação Primeira de Mangueira, sigam pra Suburbana, cheguem a Madureira que um dia chorou de dor e dobrem à direita em direção a Avenida Brasil, sigam pra Zona Oeste até Sepetiba e voltem pra Guaratiba, do alto do Bar do Bira contemplem a Restinga, Grumari e a Prainha. Agora, venham pela orla, do mar aberto da Barra à Baía de Guanabara.


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Quinta-feira, Novembro 10, 2005



Nós, brasileiros, somos saudosistas. Creio que os demais povos de língua portuguesa também o sejam, já que o nosso idioma é o único que possui a palavra saudade. Acontece o seguinte: toda vez que acrescento um texto novo aqui, o último texto da página vai embora e eu fico a sentir uma tremenda saudade. Felizmente, os textos retirados vão para os arquivos. Se eu tiver a certeza que alguém, além de mim , olhará por eles, ou pra eles, ficarei mais tranqüilo. E nisso vocês podem muito bem me ajudar. É fácil: cliquem em Arquivos (à esquerda, embaixo do link Página inicial) e leiam os textos. Os que já leram, leiam de novo. Não deixem os textos sozinhos. Eles também sentem saudades da gente. Mais uma coisinha: eles também gostam de comentários.


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Quarta-feira, Novembro 09, 2005



Distribuir riquezas e misérias ao bel-prazer é a melhor definição para governar que conheço. Talvez a única que a minha experiência de brasileiro me autorize a formular. Sem a menor cerimônia, decide-se quem será rico, quem será pobre. Acontece o seguinte: nesse jogo, universalidade de ações que funcionem e transformem, só mesmo no gogó. Na prática, as mãos áulicas continuam a mover os peões segundo a conveniência de cada partida.


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Terça-feira, Novembro 08, 2005



Por enquanto é um exagero dizer que Paris está em chamas. Por enquanto. E tomara que não fique. Quem conhece a cidade luz há de torcer pra que isso não ocorra. Acontece o seguinte: será que além de protestos sinceros de uma juventude discriminada, e sem enxergar muitas saídas, não haveria nesse troço de tacar fogo em carros uma espécie de fascinação por espetáculos pirotécnicos?


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Domingo, Novembro 06, 2005



Navegando pelos blogs da vida, acabei parando num site que ensina colocar um contador de acesso de página. Vou tentar colocá-lo aqui no blog. Acontece o seguinte: se algo der errado, o blog sumir ou ficar todo bagunçado, vocês já sabem que eu devo ter feito uma grande trapalhada na minha tentativa. Só espero que a minha curiosidade de saber quantas pessoas acessam minha página não acabe me provocando um acesso de loucura. A sorte está lançada.


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Sexta-feira, Novembro 04, 2005



Fim de semana tem churrasco. Acontece o seguinte: um não pode e o outro não deve beber. Sob o risco de ficarmos pra lá de Bagdá, todo o cuidado é pouco com a cachaça!


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Quinta-feira, Novembro 03, 2005



Meu computador me deixou na mão, daí a minha ausência de alguns dias nesta página. Acontece o seguinte: é preciso ter paciência não só com homens e mulheres mas com computadores também. São criaturinhas perigosas. Damos um comando, e eles executam outro! Quase sempre se comportam de maneira dúbia, irritando-nos seguidamente. Enfim, são os donos do pedaço. Estou até pensando numa filiação partidária para o meu.


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