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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 11:53 AM
Carlos Drummond de Andrade tem um verso que diz que "o último dia do ano não é o último dia da vida". Só que estamos acostumados com marcos divisórios. Ao som de fogos que pipocam, proclamamos que o ano que passou levou o que não presta e que o ano que começa trará dias melhores. Perfeito. A magia do réveillon às vezes dá certo e tudo corre às mil maravilhas. Desde que não se faça um brinde aos políticos. Porque aí, minha amiga, meu amigo, acontece o seguinte: a rolha estoura, mas o champagne congela...e nós ficamos a ver navios, a lamber os beiços, pensando no que seria e acabou não sendo. Mas como sou um otimista, e já fiz aqui a minha ressalva, Feliz Ano Novo!
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Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 2:07 PM
Acabou a pilha da crise política. Justo no momento que a CPI dos Correios chega finalmente à conclusão que houve dinheiro público abastecendo o valerioduto que irrigava o mensalão. A coisa, então, fica assim: no auge do escândalo, não havia provas definitivas; agora, que foram encontradas, já não causam impacto algum. Somos tentados a crer em algum tipo de deliberação nesse descompasso. Acontece o seguinte: a opinião pública foi supra-excitada por fatos e ao mesmo tempo esfriada por morosidades nas investigações, ausência de punição, negativas, acordos, conchavos e, pra arrematar, pela convocação extraordinária do congresso a peso de ouro. E como as ramificações do esquema são amplas e vêm de longe, não há oposição que faça questão de recarregar essa pilha novamente. A sensação que fica em todos nós é só uma: que tudo isso já era.
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Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 1:24 PM
Não sei se vocês repararam, mas tem muita gente que começa um diálogo ou uma conversa qualquer com então e ponto final, sem ao menos subentender alguma coisa. O uso indevido do então já virou uma praga. Dá vontade de perguntar: então o quê?
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Sábado, Dezembro 17, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 8:21 PM
Sol. É noite e falo em sol, estrela igual às que vejo agora. Logo mais, a negra e cintilante cenografia cede lugar ao solo de um único espetáculo. Amanhã vou à praia. À praia carioca, mãe de todas as praias brasileiras. Não há quem ou o quê me faça desistir, deixar de existir ali, escaldando na areia, em face de uma infinitude azul, imerso em óleos que protegem e atento aos olhares que sempre se enamoram de alguém. Estou pronto, sempre pronto. E sou do bem, coisa tão importante hoje em dia. Perdoem-me essa alegria.
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Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 4:08 PM
Falar sobre a dinheirama que vai ser dada pros parlamentares comparecerem ao congresso no período de recesso e sobre as manobras para se evitar punições para os envolvidos com o mensalão é chover no molhado. Muitos estão fazendo isso agora, nos blogs, em artigos para revistas e jornais, em conversas em bares e esquinas. E os excelentíssimos representantes do povo continuam na deles. Então, vamos esquecer, e é melhor esquecer mesmo, as possíveis conseqüências legais desses escândalos e tentar, com esperança, a sabedoria popular. Nesse caso, a orelha de cada deputado deveria estar pegando fogo. Mas parece que nada. A imunidade parlamentar tem poderes até aí. Pelo visto, nenhuma urucubaca surte efeito sobre eles. Funcionam na base da detração. Quanto mais se fala, mais inatingíveis ficam.
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Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 3:23 PM
Ser democrático é muito difícil. Pra ser mais exato, ser tolerante com decisões contrárias às nossas é mais difícil ainda. As dificuldades da tolerância talvez precedam as dificuldades da democracia. Acontece o seguinte: lá se vão dois meses e até agora não digeri bem o resultado do plebiscito das armas. Tentei neste blog contribuir com alguma forma de convencimento (cliquem em arquivos e leiam a postagem do dia 6 de outubro). Consumado o fato, ainda me pergunto como pôde uma maioria desarmada encampar as razões dos donos de revólveres, pistolas, trabucos e congêneres. Ficou-me o gosto amargo da incompreensão. Só me resta dizer sim também à tolerância, tão importante para a convivência humana quanto normas e leis.
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Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 9:02 AM
O natal está bombando. Shoppings enfeitados, árvores, papai-noel, a incrível neve e compras, muitas compras. Só há uma coisa estranha nessa comemoração toda: quase não se fala no dono da festa.
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Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 9:43 AM
Terminei de ler o romance Equador, do escritor português Miguel Souza Tavares, publicado pela Nova Fronteira. Após a leitura, fiquei cismando - e esse ficar cismando além da última página é uma sensação que só os bons livros provocam - e cheguei a uma inquietante indagação: será que o subdesenvolvimento é uma espécie de destino e a luta contra o atraso, inglória?
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Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 11:02 AM
A eloqüência que atrai por si mesma prejudica as coisas. Esta frase de Montaigne me persegue, como um inspetor de colégio persegue alguém que reconhece como prestes a infringir uma norma. Muitas vezes escrevo sobre algo que ainda não me é claro, apenas para não perder a viagem das letras. Se cometo este pecado em prosa pública, que todos ao menos saibam que não foi por falta de advertência.
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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Postado por Homero Montenegro
às 12:50 PM
Há dois dias estou tentando escrever sobre o ataque ao ônibus no Rio, na última terça-feira, que culminou com a morte de cinco pessoas, entre elas uma criança, mas só consigo encontrar duas palavras: Barbárie e Socorro. Aí me lembro que estamos sem governo e me surge uma terceira palavra: Desespero.
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Quinta-feira, Dezembro 01, 2005
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