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Linkou, Linkei:
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 5:38 PM
O que faz um livro largado sobre uma murada ao longo de um caminho? Ora, alguém o perdeu, dirá o leitor. Foi o que deduzi ao avistá-lo esta semana em minha caminhada diária. Assim pensando, continuei com passos firmes, desfrutando do ar da manhã. Poucos metros adiante, mais um livro surge sobre a murada do caminho que leva ao Silvestre, ao pé do Cristo Redentor. Eu e minha mulher nos entreolhamos. Disciplinados que somos, não paramos e prosseguimos na caminhada. Mas a nossa curiosidade já fervilhava. Um pouco mais à frente, avistamos mais um, e depois mais outro, e depois mais outro, todos dispostos ordenadamente. Aí não deu mais pra ignorar o fenômeno da ilustre aparição em seqüência. Dessa vez paramos e examinamos o achado: tratava-se do livro de poemas Vida Nova (Vita Nuova), de Dante Alighieri, com tradução de Jorge Wanderley, numa edição bilíngüe da Taurus-Timbre Editores. Com certeza era uma estratégia de divulgação especial, concluímos. Mas por que ali, onde passam somente automóveis e uns poucos adeptos da caminhada em meio à natureza em festa? Subitamente, a solução do mistério, ou a presunção dela, nos ocorreu. Os livros estavam presentes na mata verdejante para serem colhidos como frutos saborosos da cultura. Foi esse o propósito e o desejo de quem os colocou ali. Todos os dias não colhíamos também ali um pouco da paisagem vislumbrada, a floresta, o Pão de Açúcar, o Redentor? Colhemos o nosso livro e retomamos a caminhada. Durante o percurso chegamos a contar cerca de vinte exemplares expostos, maduros e franqueados. Resta ainda uma explicação de ordem sobrenatural: será que não se tratava de um grande despacho de macumba literário, perpetrado com o intuito de transmitir aos mais sugestionáveis o terrível feitiço da leitura?
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Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 12:36 PM
Nos tempos em que a repressão ao jogo do bicho era mais acirrada, muitas vezes o bicheiro tinha que engolir a lista do resultado para fugir ao flagrante da polícia. No jogo político, surge mais uma lista: dessa vez com nomes de políticos do PFL e do PSDB que teriam recebido dinheiro de Furnas. A lista, supostamente atribuída a um ex-diretor da estatal, está sendo contestada em sua autenticidade, já que só apareceu até agora como cópia, sem a original. Verdadeira ou não, já não dá pra fazer a lista sumir do noticiário. A oposição, até então na ofensiva contra o partido do governo, não quer ser também flagrada em um suposto esquema de propinas. Acontece o seguinte: a balança das denúncias foi equilibrada e tudo leva a crer que caminhamos para um grande acordo de cavalheiros que inocente gregos e troianos nas batalhas das CPIs, deixando a troca de acusações apenas para a campanha eleitoral. Há quem aposte que o povo engole mais essa.
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Sábado, Fevereiro 11, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 3:06 PM
As razões de a língua portuguesa ser tão rica:
Roubo, roubas, rouba, roubamos, roubais, roubam.
Roubei, roubaste, roubou, roubamos, roubastes, roubaram.
Roubava, roubavas, roubava, roubávamos, roubáveis, roubavam.
Roubara, roubaras, roubara, roubáramos, roubáreis, roubaram.
Roubaria, roubarias, roubaria, roubaríamos, roubaríeis, roubariam.
Roubarei, roubarás, roubará, roubaremos, roubareis, roubarão.
Obs: as pessoas que praticam a ação verbal não estão explicitadas porque não caberiam neste exíguo espaço.
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Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 5:08 PM
Mesmo que não se concorde com as idéias da senadora Heloísa Helena, dá gosto vê-la soltar o verbo. Principalmente quando é pra cima do presidente do Banco Central, Henrique Meireles. Lava a alma de todos que vivem às voltas com juros de cheque especial, empréstimos e crediários. Talvez falte à brava senadora a prova definitiva de ganhar uma eleição no executivo. O que acontece é que a história recente nos deixou ressabiados com o dia seguinte.
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Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 10:38 AM
O presidente do Supremo Tribunal Federal está na dele. Deve sair candidato, talvez até a vice na chapa do Lula. Por isso, não vai arrumar complicação em ano eleitoral. Não adianta a oposição reclamar de intromissão do Supremo nas investigação das CPIs. Acontece o seguinte: o Lula já entrou pra história como o primeiro operário a chegar à presidência, está concluindo seu mandato e pode muito bem conquistar outro, vai ser um desses nomes que ficam, como o Getúlio e o Juscelino. E o ministro Nelson Jobim não é bobo nem nada. Como contemporâneo desse processo histórico, não vai querer ter seu nome escrito ao lado de uma possível manobra para se derrubar do poder um trabalhador eleito democraticamente. Os acontecimentos da atualidade poderão muito bem ser vistos dessa maneira pelos historiadores no futuro. Mas o leitor há de perguntar, com razão: e os escândalos todos de corrupção, não contam? Ora, as notícias foram esfriando na mídia e a própria oposição, encarregada de dar conseqüência política aos fatos, não fez lá muita força pra investigar as denúncias a fundo. Sabia desde o início que o buraco além de fundo era largo, chegando aos subterrâneos da vizinhança de todos os partidos e de muitos mandatários. Por isso, quem estiver achando parcial a atitude do presidente do STF, que troque de Jobim e vá ouvir um bom disco do Tom. Nos poupa de decepções e é mais prazeroso.
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Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
Postado por Homero Montenegro
às 12:11 PM
Andando por nossas calçadas, de olho onde piso, respondo na lata se me perguntam em que lugar estamos: no antigo Egito dos faraós, no templo de Anúbis, o deus-cão. Au! Au!
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