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Segunda-feira, Março 27, 2006



Palocci é jovem, tem várias opções pela frente. Os que saíram economicamente de cena por causa de sua política, nem tanto.


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Domingo, Março 26, 2006



Domingo pede cachimbo. Não tenho este hábito sherlockiano. Nem outro de origem tabagística. O mais próximo do cigarro pra mim é o café. De preferência no copo de geléia. De preferência, não; obrigatoriamente. Entre parênteses: fora de casa, me submeto à xícara. Por que falo sobre essas coisas? Talvez pela simples crença de que o domingo ainda é assim para muitos brasileiros: velhos ditados, velhos hábitos, um quê de enfado português, banzo africano e silêncio indígena. Ou seria comilança, barulho e preguiça?


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Sábado, Março 25, 2006



Estava com tudo preparado para escrever sobre as últimas da nossa política, a grande pizza, a quebra ilegal de sigilo bancário, a deputada dançarina e mais um ou outro flagelo patrício. Preparei substantivos, verbos, adjetivos, principalmente adjetivos. Aí, acontece o seguinte: me bate um tédio, um tédio irremediável, um tédio imenso, um tédio com oito milhões de quilômetros quadrados.


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Segunda-feira, Março 20, 2006



Interatividade mesmo é a do pensamento. Estou escrevendo ao som de Garota de Ipanema (versão instrumental do Tom), pensando no documentário Falcão - meninos do tráfico, do MV Bill, e me vem à mente uma cena do filme Capote, quando a amiga do escritor pergunta se ele está se envolvendo afetivamente com um dos acusados de ter matado uma família de fazendeiros. Capote responde: "Sinto como se tivéssemos crescidos na mesma casa. Um dia ele se levanta e sai pela porta do fundo e eu me levanto e saio pela porta da frente".

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No fundo, no fundo, o PMDB recebeu com alívio a notícia da suspensão da convenção que decidiria se o partido lança ou não candidato próprio à Presidência da República. Desobrigado de si mesmo, o PMDB volta a dormir o seu soninho confortável no colo do governo.


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Domingo, Março 19, 2006



Geraldo Alckmin é médico anestesista. Sua especialidade é fazer com que alguém seja cortado sem que sequer sinta. O Lula que ponha as barbas de molho e faça uma visita hospitalar ao Serra.


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Sexta-feira, Março 17, 2006



Atraso implica sempre em prejuízo. Quando a ordem do STF para suspender o depoimento do caseiro Francenildo Costa chegou ao congresso, o homem já falava à CPI há uma hora. Inclusive o que tanto se temia ouvir: que o ministro da Fazenda freqüentava a tal casa suspeita. O homem jurou até. Claro que foi a oposição quem trouxe a Bíblia. A sorte do ministro Palocci são os patuás macroeconômicos que ele carrega.


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Quarta-feira, Março 15, 2006



Espero encerrar o assunto do dia 13. Não se trata de um grand finale. Fiz muito barulho por nada. Vocês verão que é uma reivindicação fácil até. Um último esclarecimento: estarei dependendo de uma promessa. Ora, isso é coisa que os políticos tiram de letra. Acontece o seguinte: posso até pensar em votar pra governador no candidato que prometer, no primeiro ato de seu governo, entregar o Teatro Municipal e o Maracanã à cidade do Rio de Janeiro. Eles nasceram aqui, cresceram aqui, vivem aqui, estão grandinhos e se encontram sob a tutela de um parente da província. Dai a César o que é de César. Maiores reivindicações só pretendo fazer ao futuro governador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, quando a autonomia carioca finalmente voltar. Por enquanto, prometo colocar esse assunto na geladeira.


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Terça-feira, Março 14, 2006



Hoje vou falar sobre os pré-requisitos que me fariam pensar em votar para governador do Estado do Rio. (Leiam minha última postagem.) Primeiro, quero relatar um fato que enriquece este contexto. Eis que me deparei, ontem, num shopping aqui do Rio, com Wladimir Palmeira, o eterno líder dos estudantes, símbolo máximo da passeata dos cem mil em 1968, agora candidato ao governo estadual pelo PT. Wladimir estava tomando um milk-shake de chocolate. Aproveitei sua descontração para iniciar um breve diálogo:
- Governador, a candidatura é pra valer?
- Claro, é pra valer sim!
- Mas o Lula disse que vai subir no palanque com o Crivela.
- É que ele não pode negar apoio a quem está lhe dando apoio.
- Olha que essa história de aliança rifou a candidatura da Bené na eleição passada. A coisa ficou como se não fosse pra ela ganhar mesmo, garantindo, com isso, o apoio do Garotinho ao Lula no segundo turno.
- Não, não vai ter isso não, pode ficar tranqüilo...
A conversa foi acabando e Wladimir se despediu simpaticamente, voltando a se dedicar ao milk-shake, sem dúvida algo mais proveitoso a fazer. Pois é. Eu poderia até ter perguntado mais sobre essa história do Lula com o Crivela, já que o candidato a governador pelo PT é ele, Wladimir Palmeira. Podia ter aproveitado, também, e feito ao vivo as indagações que vou fazer neste blog aos candidatos ao governo estadual, os tais pré-requisitos que falei no início. Acontece o seguinte: fui envolvido pela repercussão nacional da política de alianças e acabei esquecendo da minha aldeia, mesmo conhecendo de cor o verso de Fernando Pessoa que diz que "O Tejo não é maior do que o rio que passa pela minha aldeia". Mas não tem jeito: pensar antes no Brasil é o pecado original e originário dos cariocas. Fica pra amanhã, novamente, o assunto de hoje propriamente dito. Paciência.




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Segunda-feira, Março 13, 2006



A evanescência é a essência do voto. Tão logo é confirmado na urna eletrônica, o voto passa a pertencer inteiramente ao votado. Aí, sabe-se lá que frankenstein nosso dever cívico estará ajudando a costurar. Digo isso pensando, principalmente, nas eleições para governador em outubro e na sinuca de bico que está se formando frente à minha consciência. Sou assumidamente favorável à volta da cidade do Rio de Janeiro à sua condição federativa de cidade-estado. Quero votar pra governador da minha cidade, pra deputado da minha cidade, pra senador da minha cidade. Acontece o seguinte: me sinto cometendo um crime eleitoral ao votar fora do meu verdadeiro domicílio. Amanhã falo dos pré-requisitos que poderiam me fazer pensar em votar pra governador este ano.


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Domingo, Março 12, 2006



Deputado quer proibir o uso de máscaras nas ruas, mesmo no carnaval. Já o uso de deputados mensaleiros continua amplamente liberado.


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Quinta-feira, Março 09, 2006



Ministro inaugura exposição sobre a tropicália em Londres:

Explorando os significados da palavra cultura, podemos afirmar que o cultivo da própria horta é uma eficiente ação de política cultural.


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Quarta-feira, Março 08, 2006



Uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher:

"Ao perceber que não seria mais cultuada,
a deusa perdoou aos homens conquistando-os."

(do livro Lâmpadas da manhã, de Helena Printes)


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Terça-feira, Março 07, 2006




O exército está ocupando algumas favelas do Rio a procura de dez fuzis e uma pistola roubados de um quartel. Acontece o seguinte: essa operação tem que resultar em alguma coisa, com as armas todas sendo recuperadas. Caso contrário, do fundo do poço da segurança pública, o governo estadual dirá ao governo federal: bem-vindo ao clube.



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Quarta-feira, Março 01, 2006



Hoje é aniversário da cidade do Rio de Janeiro. Dessa vez a data caiu numa quarta-feira de cinzas, depois do carnaval, no início da quaresma. Quer dizer, entre a festa e o rescaldo, entre o êxtase e a contrição. Talvez seja um sinal de que o Rio sempre anda, ou desanda, sobre essa linha divisória mesmo. E pra comemorar a data como se deve, acontece o seguinte: logo mais, às 20 horas, na carioquíssima Livraria de Música Toca do Vinicius haverá um show de celebração dos 441 anos de fundação da Cidade Maravilhosa, com uma Roda-de-Samba comandada por Moacyr Luz, na calçada da loja em Ipanema, na rua Vinicius de Moraes, 129.


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