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Quinta-feira, Agosto 31, 2006



Hoje é o BlogDay. Confesso que não sabia, fiquei sabendo nesta segunda-feira ao ler a coluna do Gravatá no caderno de informática do Globo. Acho esta minha ignorância um pecado para um blogueiro. Desde já, peço minhas desculpas. Bem, pelo que li na coluna, ficou combinado que hoje cada blog deveria listar cinco outros blogs interessantes, de preferência pouco conhecidos. Só que me acontece o seguinte: estou há alguns dias sem computador. Dessa vez a minha máquina foi pro beleléu mesmo, e com ela um bando de informações de sites e blogs favoritos. Detalhe: não sou o rei do beckup. O fato é que nesse período estou fora do ar, desligado da Matrix, perdido no deserto do real. Mas pra não furar totalmente o combinado , vim até um cyber café dar a minha sugestão para o dia do blog: cliquem no banner do TopBlog (à esquerda do monitor) e lá vocês vão encontrar não apenas cinco blogs, mas uma porção deles, divididos por assuntos e agrupados num ranking geral de visitação, tudo muito bem organizado. Vale a pena conferir. Todos os gostos serão satisfeitos. No mais, como diria o Arnoldão em o Exterminador do Futuro, I' ll be back.
PS: amanhã este blog completa um ano.


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Sexta-feira, Agosto 18, 2006



É preciso ter muito tato e paciência ao lidar com certas situações, principalmente quando envolvem pessoas que estimamos. Vamos supor que você aí, que está lendo este blog agora, já resolveu em quem vai votar, se é que vai votar, pode até tá querendo votar nulo ou em branco, não importa, o importante é que a sua decisão está tomada. Mas eis que acontece o seguinte: surge um amigão ou um parente próximo com um candidato debaixo do braço - metaforicamente falando, é claro - e lhe pergunta com ternura: já decidiu em quem vai votar? Pronto, seu mundo de cidadão livre caiu. Lá se foi a sua convicção, a sua revolta, a sua abstenção, tudo por água abaixo. Você pega, meio sem graça, o prospecto com a foto do postulante, ou petulante, e se depara com um bigode mal ajambrado, com uma gravata que não combina com a camisa, com óculos tortos, com propostas estapafúrdias etc. etc. E nem pinta de quem vai ser bom de fisiologismo o candidato tem. Ou seja, você se encontra no meio de um inferno cívico. Quando o pedinte é um inconveniente, um chato de galochas, a negativa é fácil. Mas quando o cabo eleitoral é alguém que a gente gosta, a coisa muda. E não adianta apelar pra razão, pra discursos, pra argumentação politizada, porque ninguém fala assim pra negar um favor a um amigo. Felizmente, trata-se só de uma paranóia eleitoral. Por enquanto, ainda não aconteceu comigo. E espero que não aconteça com ninguém. Mas é bom estar preparado.


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Quarta-feira, Agosto 16, 2006



Costuma-se dizer, frente a certas reclamações, que a pessoa interessada vá se queixar ao bispo. E quando o bispo é de uma paróquia distante, como é que fica? Não fica, né. Assim se sente a população do Rio de Janeiro diante da violência, sem saber a quem se queixar. Cadê as autoridades? Estão por ai, fazendo campanha. Temo que o assassinato do turista português na praia de Copacabana se torne apenas um dado a mais de uma estatística trágica. É triste o preço que o carioca paga por depender de governantes com interesses eleitorais, culturais e ideológicos distantes da cidade do Rio de Janeiro.


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Segunda-feira, Agosto 14, 2006



Ontem, numa fuga rápida às comemorações do dia dos pais, fiz apenas uma postagem curta sobre a entrevista do Lula ao JN. Hoje, vou falar dos demais candidatos entrevistados pelo Jornal Nacional. Vamos lá. Acontece o seguinte: Alckmin tentou, marotamente, requentar a guerra fria ao dizer que as ações do crime em SP eram ações de guerrilha; já falei aqui dos piores temores da Heloísa Helena; e o Cristovam Buarque me dá a impressão de querer voltar ao ministério da educação, e o Lula lhe deve essa. Em relação aos outros, este blog não acrescentaria nada aos 15 minutos de fama que almejam.


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Domingo, Agosto 13, 2006



Uma imagem, e o seu respectivo áudio, vale mais do que mil palavras. Fico com o clichê e não vou comentar a entrevista do presidente-candidato ao JN.


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Sexta-feira, Agosto 11, 2006



Também tive um pesadelo. Sonhei que estava escrevendo este blog em plena época do Império Romano, direto do senado. Todos nós ali tínhamos a cara do colunista da Veja Diogo Mainardi. Quando Catão disse 'Delenda Carthago', não pude aplaudir, como os demais, porque o meu notebook se fechou subitamente sobre os meus dedos. Despertei em pânico e com cãibras nas mãos.


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Quinta-feira, Agosto 10, 2006



A senadora Heloísa Helena teve um sonho estranho. Em seu pesadelo - vamos chamar assim - o presidente Lula lhe aparece em forma de esfinge, mas uma esfinge diferente, de comportamento atípico, que não propõe o clássico enigma e nem diz 'decifra-me ou te devorarei'. Ao contrário, faz questão de revelar-se sem mistérios. Com ternura no olhar, cheio de compreensão, Lula-Esfinge se dirige à candidata e proclama (feito um famoso anúncio de vodka): 'Eu sou você amanhã'.
Heloísa Helena acordou assustada, suando muito, e só se recompôs aos poucos, ao recordar que é somente a terceira colocada nas pesquisas eleitorais.


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Quarta-feira, Agosto 09, 2006



Pão e circo pós-moderno é isso aí: a polícia federal coloca os políticos na arena e eles mesmos se devoram.


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Segunda-feira, Agosto 07, 2006



Aristóteles, nos dias de hoje, escreveria a sua famosa frase O homem é um animal político, assim: Homem, o político é um animal.


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Quinta-feira, Agosto 03, 2006



O Rio de Janeiro é uma cidade escandalosamente bonita. Tal qual uma mulher escandalosamente bonita, dificilmente deixa de atrair má fama. Com ou sem proveito. E a minha cidade tem dado motivos pra ser falada. Não sei se é algo nela, ou algo que fazem com ela. A essa altura, tanto faz. O importante é que recobre a dignidade do que foi e do que ainda é. Diante do inevitável espelho, não veja só a vaidade que a sua beleza provoca. Veja, sem ilusões, que em determinadas horas está sozinha. Principalmente na hora da detração desairosa. E já que é assim, que caminhe verdadeiramente livre, autônoma, de volta à sua condição de cidade-estado. Não lhe faltam capacidade e esperança para cuidar de si mesma.


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Quarta-feira, Agosto 02, 2006



Agora que o mundo mais uma vez sangra por guerras e o país por picadas de sanguessugas, em meio a protestos, críticas, revoltas, denúncias, sem que nada pareça adiantar, me lembro do velho Freud. Se estivesse vivo, o mestre de Viena teria completando 150 anos no dia seis de maio último. Acontece o seguinte: vivo ele está. Vejamos o porquê:

"Quando, com toda justiça, consideramos falho o presente estado de nossa civilização, por atender de forma tão inadequada as nossas exigências de um plano de vida que nos torne felizes, e por permitir a existência de tantos sofrimentos, que provavelmente poderiam ser evitados; quando, com crítica impiedosa, tentamos pôr à mostra as raízes de sua imperfeição, estamos indubitavelmente exercendo um direito justo, e não nos mostrando inimigos da civilização. Podemos esperar efetuar, gradativamente, em nossa civilização, alterações tais que satisfaçam melhor nossas necessidades e escapem a nossas críticas. Mas talvez possamos também nos familiarizar com a idéia de existirem dificuldades, ligadas à natureza da civilização, que não se submeterão a qualquer tentativa de reforma."

(texto de Sigmund Freud extraído do livro O Mal-Estar na Civilização)


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