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Segunda-feira, Março 26, 2007



Tem certas perguntas que só podem ser respondidas na ficção. Abro logo um parêntese: e quantas ficções já não incorporamos como certíssimas respostas? Fecho o parêntese. Vamos ao que interessa. O antigo reino de Israel era uma sociedade nitidamente patriarcal, sabemos todos. Haveria, nesse contexto, a possibilidade de que uma mulher fosse a autora do bem simbólico mais importante do povo judeu, a Bíblia? Caso possível, quem era essa mulher, o que pensava, como seria? São questões que a ficção do escritor gaúcho Moacyr Scliar 'soluciona' com inteligência e humor em seu envolvente romance A mulher que escreveu a Bíblia, editado pela Companhia de Bolso. A hipótese da autoria feminina do livro sagrado é uma tese defendida pelo crítico literário norte-americano Harold Bloom, citado na epígrafe do livro de Scliar.


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Quarta-feira, Março 21, 2007



Deve ser ingenuidade minha, e provavelmente é. Mas tenho que admitir que me acontece o seguinte: ainda me espanto com as transformações aceleradas desse maravilhoso mundo... dinâmico, nem dá pra dizer mais o clichê 'mundo novo', de tão rápida que é a sucessão das coisas. O Brasil, por exemplo, dormiu bumba-meu-boi e acordou banda calypso.


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Sábado, Março 17, 2007



A TRAIÇÃO DO INSTANTE


A verdade é isso,
conversar aliciando,
impondo, assim,
um saber epifânico?

A verdade é isso,
de autoria imprecisa,
elisão do sujeito
em frase corporativa?

A verdade é isso,
uniforme jactancioso,
um molde que não se ajusta
a quem se excede no corpo?

A verdade é isso,
tão cálido horizonte,
histórico amanhã
sem a traição do instante?


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Quarta-feira, Março 14, 2007



Sete é conta de mentiroso. Dizem. Fiquei sete dias sem postar, devido à minha conexão que se encontrava, e ainda se encontra, uma porcaria. Mas desconfio que isso não cole. É a mais pura verdade, mas não desperta nenhuma polêmica. É mais interessante que pensem que eu esqueci o Dia Internacional da Mulher, que não tive coragem de escrever Fora Bush etc. etc. etc. Como não vou convencer ninguém, quero só acrescentar mais uma alternativa: a de que é preciso que determinadas coisas sejam notadas por sua falta, que apareçam e se destaquem por sua ausência. Quem sabe eu até mereça a lisonja de um comentário assim: Homero, os posts que você não fez durante a semana estavam muito bons, muito bons mesmo.


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Quarta-feira, Março 07, 2007



O super-homem nietzschiano chegou. Não sei se do jeito que o filósofo alemão o imaginara, mas o fato é que já está aí, na atividade, em todas as classes sociais, em todos os meios, de todas as idades. Nenhuma culpa o enfraquece, nenhuma lei o enquadra. Intervém, decide, divide. Age rápido com o que tem às mãos. Seja uma mont blanc ou uma automática. Ele pode tudo, Ele quer tudo, Ele não se frustra em nada.

ps: Morreu Jean Baudrillard. Suas reflexões diferenciadas vão fazer falta nesse mundo esvaziado de sentido, conforme ele o definia.


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Domingo, Março 04, 2007



Uma mosca me pertuba enquanto escrevo. Ô bicho chato é mosca, parece a que pousou na sopa daquela musiquinha. Quase que digo ô musiquinha chata, aí me lembrei que seu compositor virou ícone e ícone não se discute. Ô mania chata de politicamente correto é essa também.// A correlação que fiz, em 20 de janeiro do ano passado, entre a cidade do Rio de Janeiro e seu padroeiro chamou a atenção. (vide comentários das duas últimas postagens). Acho que minhas considerações continuam válidas, tanto que este ano, na data do padroeiro, fiz um link para aquele post. Para os que ainda não leram, e não querem se dar ao trabalho de entrar nos arquivos, é só clicar aqui. // Ainda na minha praia predileta: vamos fortalecer o Cristo Redentor como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno. É so acessar www.cristoredentor.com.br ou www.corcovado.com.br e votar. Fui.


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Sexta-feira, Março 02, 2007



Ia comentar a vitória do Brasil sobre o Haiti no campo econômico, mas me lembrei de um fato mais interessante ocorrido na semana: a história do casal de velhinhos que regou uma planta de plástico por três anos. Que coisa bonita. Em certos casos, o efeito de verdade é tão importante quanto a própria verdade. Em certos casos, bem entendido.


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Quinta-feira, Março 01, 2007



Quem ama perdoa, certo? Mesmo quando a barra pesa e fatos terríveis se sucedem, mesmo assim, perdoa, perdoa, perdoa. É desse jeito a minha relação com a cidade maravilhosa. Sei que esse título está desgastado, que ela própria está desgastada. Também pudera...tantos falsos amores, inúteis promessas. Mas será que já existiu mesmo essa cidade que idolatro, ou foi apenas um sonho bom de tempos mais esperançosos? De qualquer modo, hoje, dia do seu aniversário, ainda consigo me declarar à minha cidade - verídica ou imaginária - como nos versos da canção: Rio de Janeiro que eu sempre hei de amar!


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