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Linkou, Linkei:
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Terça-feira, Julho 31, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 11:13 AM
Caramba, acho que os produtores do destino só querem trabalhar com os grandes diretores. Chamaram também o Michelangelo Antonioni.
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Segunda-feira, Julho 30, 2007
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Postado por Homero Montenegro
às 12:42 PM
UM NOVO RUMO
Não, o senhor não quer papo, não é isso? Dá pra perceber que é um desses importantes. Mas se está aqui no meio de todos, é igual a todos. Quando sentou do meu lado, pensei: é pessoa do chefão aí da frente. Mas depois foi mudando de lugar na longarina, um por um, sem reclamar, sem chamar atenção. Hum, a vida é gozada. Sabe, vou continuar falando, mesmo que não me escute. Ajuda suportar a espera. Reparou, ele quase não olha pra cá? Olhou uma vez só, igual cachorro deitado no quintal, tranqüilo, abrindo e fechando os olhos rapidamente. A gente pouco importa pra ele. Curioso...ele olhou justo na hora que o senhor entrou na sala. Acho que o senhor vai ser chamado logo. Ou então no final, pra uma conversa mais longa. Sei lá! Tem umas coisas que eu começo a perceber sem mais nem menos, assim, um estalo no meio da cabeça, pá! pá! um tiroteio danado nas idéias, que nem os que eu ouço perto de casa, só que não posso correr pra baixo da cama, ficar quieto, as balas passando por cima, zum, zum. Com os pensamentos é difícil, não dá pra se proteger mesmo. Aí eu tenho vontade de chorar. Homem feito chorando fica muito esquisito. Quando dá, eu choro. Choro muito. Agora, não. Por isso, estou me segurando, os pensamentos de novo, é um maltrato só. Passar muito tempo nessa sala piora, porque tem a ver com essa sala, com as pessoas daqui, com o senhor, com ele, eu falando tudo, repetindo tudo, a boca seca do mesmo jeito. Eu até tentei sair, no início. Essa porta com botão no meio da maçaneta é complicada pra mim. Podia ter pedido pra alguém me ajudar, até podia. Só que nesses casos as pessoas costumam olhar pra ver o que está acontecendo. Ninguém olhando, não vou eu chegar, tocar no ombro de um ou de outro, falando baixo, será que pode me dar uma mãozinha? Não tenho esse costume. Aí, pra não sentar logo em seguida, eu disfarcei, fui andando devagar até aquela janela ali, que não abre, e encostei com força o meu rosto no vidro escuro, chega o beiço foi pro lado, o nariz entortou, a respiração embaçando tudo, um papelão feio, eu sei, eu sei, mas foi o desespero, o nervoso, ainda bem que ninguém reparou, o importante, moço, é que com a cara ali colada eu pude ver o que vi, do outro lado, lá no fim do corredor, as pessoas saindo deste lugar e querendo voltar em seguida, as mesmas pessoas, ainda pensei comigo, deve ser um temporal se armando, mas chuva não amedronta geral, tem sempre um que não liga pra se molhar, então pensei, não é chuva, não é vento, que coisa é não sei, só sei que não conseguiram voltar, alguma coisa do outro lado do corredor fez com que parassem, então a porta foi se fechando lentamente, empurrando eles lentamente e eu também fui me afastando da janela lentamente. O que assustou mais eles: o que está aqui dentro ou o que está lá fora? Pronto, chegou o meu número, vai chegar o seu também, e o senhor vai voltar pra fila, até lembra de tudo, eu já voltei varias vezes, só que não consigo me lembrar de mais nada, é horrível, moço, ele insiste nuns detalhes, insinua outros, diz que o principal eu tenho que contar pelas minhas próprias palavras, ah, moço, eu sei o que vai acontecer, mesmo se eu lembrar, principalmente se eu lembrar. Pobre de mim, pobre do senhor também, moço.
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Sábado, Julho 21, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 1:20 PM
A escuna prossegue
inflada e flana
onde encalham tantas.
Vão-se nos despojos
os danos de uso,
os erros a bombordo.
E tão pouco sabe
seus próprios planos,
de albatroz baudelairiano.
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 11:42 AM
Quem escreve, muitas vezes sofre ao publicar um texto sem saber se ele estava devidamente pronto. Um capricho, dirão. Provavelmente. Como diz a máxima, palavras são palavras, nada mais que palavras. A pista do aeroporto de Congonhas foi liberada sem que a sua reforma estivesse devidamente pronta. Pode até nem ter sido essa a causa determinante do desastre com o avião em São Paulo. Mas a pista não estava pronta. O que podemos afirmar é que as autoridades fazem sofrer mais do que sofrem por suas incúrias, inépcias e irresponsabilidades. As palavras você pode desdizê-las. As vidas, não.
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Terça-feira, Julho 17, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 10:56 AM
Claro que toda vaia é orquestrada. Ou pelo impulso que a platéia sente diante do objeto vaiado, ou por algo no objeto vaiado que provoca esse impulso na platéia. Mas antes de tudo, parafraseando Gertrude Stein, uma vaia é uma vaia, é uma vaia, é uma vaia.
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Segunda-feira, Julho 16, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 9:35 AM
OBSERVATÓRIO
A satisfação visível nos mamilos
que emergem das ondas sáficas
sob as agulhas do alísio,
perfeita a mulher na praia.
Contentado quem contempla,
as linhas que se adensaram
encontram a calma na areia,
mas não se distende a beleza.
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Sexta-feira, Julho 13, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 12:38 PM
Sem essa de qualquer outro caô. Hoje só dá Cauê, o mascote do Pan do Rio. Tomara que o espírito olímpico paire sobre a cidade do início ao fim dos Jogos Pan-Americanos. Melhor ainda: que fique aqui por um bom tempo, já que a gente se amarra numa feshhta mermo.
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Terça-feira, Julho 10, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 11:04 AM
Nem tudo que já foi já era. Explico a frase bombástica. Estou falando das postagens que já foram parar nos arquivos, e lá se encontram, solitárias, sonhando com uma perenidade que transgrida os limites da primeira página. Ora, quem lê este blog é gente esperta, e já deve estar pensando que na verdade me acontece o seguinte: esse Homero tá enrolando, tá sem assunto, isso sim! Seria leviano negar. A meu favor, posso dizer que me mantenho em constante prospecção interna, em busca de novos lençóis freáticos. E que não tenho vergonha de apelar pro plano B. Os arquivos, no caso. Poupando trabalho das leitoras e dos leitores, selecionei três momentos, digamos assim, que já se manifestaram aqui (sem espiritismos...): momento fábula, momento bairrista e momento zen. Agora, só me resta torcer para que gostem.
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Sábado, Julho 07, 2007
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Quarta-feira, Julho 04, 2007
Postado por Homero Montenegro
às 12:14 PM
Confesso que não sei se há blogs de mais ou de menos, embora minha última postagem possa dar a entender uma coisa e outra. Essa dubiedade me traz à mente a questão do copo meio cheio ou meio vazio, metáfora clássica do otimismo e do pessimismo. Gostaria de retocá-la assim: um copo meio vazio significa apenas que há espaço para enchê-lo, e um meio cheio significa apenas que não conseguimos bebê-lo todo ainda. "Para tão grande amor tão curta a vida", já bem o disse o poeta.
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